Infelizmente, inacabados...

Tédio da Quimera

Antes d’eu ser Quimera,
Sem as contínuas metamorfoses
Encontrava-me sozinho com vozes
Declamando odes a deusa Era
Raramente os tolos me viam,
Inconstância de forma, eu adquiria,
Tornando-me mais e mais a cada dia
Doutor daqueles que se atrofiam
Tortos e felizes,facas sem corte...
De vazias orgias, mantêm sua fera,
Dos mundos fadados a mesma sorte
Antagonicamente, fico cá a quimera
Dentro do ex-homem, obstinado a Morte
Cansado de ouvir o maldito ode à Era


As vedetes celestiais

Ainda era cedo, de manhãzinha
Tentei ver estrelas, não consegui
Notei algo a mais no céu,
Até pouco tempo não havia notado que se pode ver a lua,
Mesmo de dia
Lua cheia, no céu azul de poucas nuvens,
Lua cheia de si, não se satisfaz só com teu espetáculo noturno,
E tenta tomar o dia pra si.
O Sol tímido estava inclinado no céu,
Até pouco tempo não sabia que o Sol é uma estrela,
Estrela protagonista, vedete
Ator de um monólogo
Olhei de novo para o céu,iminência de um conflito
O Sol crescia, a Lua teimava em permanecer no palco
As menores estrelas,coadjuvantes, a essa hora,
deviam estar em outro palco,
Ganhando a vida, sem a Lua que permanecia
Teimando
As nuvens irritadas apelaram
Fechou-se as cortinas,
E choveu.


Eco

Neste reino,
O frágil e bom Rei reina,
Mas quem realmente governa,
É o austero chanceler, agora ausente.

E passando,
Por sucessivas secas e pestes,
O povo exclama, ao provinciano Estado:
“Vá idade! É triste a dor do parto, mas temos que partir”


Humanidade

De manhã ao sair, desejo ao ópio
Dopar-me de mim mesmo
É bom ficar a esmo
E entregar-me ao doce ócio
De viver a vegetar andando
Ou sair de máscaras matando

A tarde, há uma necessidade
Já mostrada logo cedo
E criando uma chance, concedo
À minha alma expor-se - por vaidade,
Mostrando tudo de rico, omitindo o pobre,
Pra enganar os tolos e roubar seu cobre

À noite, cansado do tedioso baile diário,
De pessoas sorrindo ou chorando,
E outras dançando, cantando e zombando,
dos degradados presos no poço humanitário,
Que por nós serão sempre fodidos,
Até que morram, e se tornem queridos.


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